Ao Espelho...

sexta-feira, janeiro 27, 2006

Merda, sou lúcido!

É no meio da febre que tudo entra em rebuliço...tudo ferve. A doença, o escroto.
Calor e frio. Quero-te, mas longe...para depois desejar outra vez que estejas perto e assim sucessivamente. Prendendo os gestos e retendo as emoções, racionalizando tudo, vou-te tendo.
Vou tendo aquilo que queres dar. O que será de tudo isto agora? Que futuro?

Quero ouvir uma música que ainda não existe; provar um sabor que desconheço. Quero chorar sem motivo, só pelo prazer de sentir rolar as lágrimas quentes pela face. Desejo observar as luzes da cidade por entre a cortina de água que cai do céu.
Vivo uma melancolia masoquista, devorando imagens que se sucedem na minha mente a uma velocidade inconcebível. Coisas, momentos a que atribuí um significado pessoal, deformando-os por vezes.
Ofereço-te o meu ombro, o meu abraço..não posso mais.

"Merda, sou lúcido!" (Álvaro de Campos)