Ao Espelho...

quinta-feira, agosto 25, 2005

Mulher - Ísis


Porque eu sou a primeira e a última
Eu sou a venerada e a desprezada
Eu sou a prostituta e a santa
Eu sou a esposa e a virgem
Eu sou a mãe e a filha
Eu sou os braços da minha mãe
Eu sou a estéril, e os meus filhos são numerosos
Eu sou a bem casada e a solteira
Eu sou a que dá à luz e a que jamais procriou
Eu sou a consolação das dores do parto
Eu sou a esposa e o esposo
e foi o meu homem quem me criou
Eu sou a mãe do meu pai
Sou a irmã do meu marido,
e ele é o meu filho rejeitado
Respeitem-me sempre
Porque eu sou a escandalosa e a magnífica

Hino a Ísis, século III ou IV(?)

Encontros

Os encontros mais importantes já foram combinados pelas almas antes mesmo de os corpos se conhecerem. Geralmente, esses encontros acontecem quando chegamos a um limite, quando precisamos de morrer e de renascer emocionalmente. Os encontros esperam-nos - mas a maior parte das vezes evitamos que aconteçam. No entanto, se estamos desesperados, se já não temos nada a perder, ou se estamos muito entusiasmados com a vida, então o desconhecido manifesta-se, e o nosso universo muda de rumo.

Paulo Coelho,
in Onze minutos

segunda-feira, agosto 22, 2005

Prazer em conhecer-te. Entra, rasga, destrói! Atira tudo fora e põe cá dentro algo de novo!
Corta, distorce, abre as portas e espalha a luz! Para que todos vejam o que se passa aqui dentro.
Muda, tira, arranca, faz tudo...mas fica.

sexta-feira, agosto 19, 2005


Alguma espécie de Deus. A Luz que emana queima quando olha, queima quem olha.
Faz surgir um fogo no peito, abre portas secretas, mas ao mesmo tempo é impossível não olhar, impossível não querer...o fascínio é maior. E é por isso que não pode ficar perto tempo de mais. Demasiado tempo.
De qualquer maneira o estrago já está feito; é impossível voltar atrás. Quem brinca com fogo queima-se. Mas a queimadura causa prazer, vale a pena.

sou como um espelho. não sou nada até olhares para mim.*


*little black spot

Madrugada

Foi naquela madrugada, em que o ar entrava frio até aos pulmões.
Ok, fora um passo quase no escuro, mas isso só aumentava a adrenalina do momento. De que adiantava viver se tudo não fosse depressa? [demais]
Dormira pouco na noite anterior e tudo agora adquiria uns contornos levemente desfocados. À beira do precipício. Encontrou-se e perdeu-se.

quinta-feira, agosto 04, 2005

Sigo pela rua, ao som de uma música interior que me acompanha. Desço as escadas e vejo as crianças brincando. Sorrio para elas e com elas. Mostro a língua a um puto que passa. Não ando, vou aos saltos pequeninos ou corro. O sol a pique acompanha-me as passadas, não deixando ver a sombra. Agora é a música de fora que toca, a música do mundo. Passo pelas pessoas, pelos ciganitos sujos. Apaixono-me pela mulher que passeia o cão e, no segundo seguinte já ela desapareceu dentro de casa, tal como o surto de paixão.
Porque é assim e nos podemos apaixonar por qualquer um, todos são passíveis de serem amados. Mas especialmente hoje, porque lhes sinto a energia e vejo a sua luz. Algo paira no ar. Rio, rio somo louco! Sou louco! [e quem não o é? eu ao menos assumo]. E vou descendo, aos saltinhos pela estrada.